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Não Positivo

O poder do Não Positivo para Gerenciamento de Projetos de Testes

Escrito por William Ury, o livro “O Poder do Não Positivo” nos fala a respeito de uma dificuldade que muitos possuem em dizer ‘não’, trazendo com isso reflexos negativos para as empresas, especialmente quando estamos falando de gerenciamento de projetos.

Segundo Ury, a dificuldade em dizer ‘não’ vem desde a infância, quando entendemos que dizer ‘sim’ automaticamente tem um efeito positivo, enquanto dizer ‘não’ tem um efeito negativo.

Não Positivo

O autor defende que o ‘sim’ expressado de forma inteligente tende a ter muito mais efeitos positivos do que se surgisse de forma automática. Convém lembrar que dizer ‘não’ de forma automática também é contraproducente. Ury diz o seguinte: “Um ‘não’ indeciso pode representar a perda de um emprego, de um cliente. É fato. Mas o ‘não’ consciente é a conquista da firmeza, da confiança, da credibilidade”.

Vejamos como isso funciona na prática dos projetos de testes

Imagine quando um cliente lhe envia uma especificação corrigida faltando apenas um dia para a execução de testes, mas você tem um contrato com ele combinando que precisa de dez dias para concluir os scripts, antes do início dos testes.

Uma possibilidade seria recusar o projeto, o que seria o ‘não’ automático, e que não tem muito a dizer. Mas um ‘não’ positivo englobaria alternativas como conscientizar o cliente de que o projeto pode ser aceito, mas a um alto risco de qualidade. Uma possibilidade, neste caso, poderia ser o uso do teste baseado em riscos para reduzir escopo, ou até o uso mais incisivo de testes exploratórios em relação ao habitual. Outra forma de ‘não’ positivo seria convencer o cliente de que para ter a qualidade exigida, seria necessário reestimar o esforço de testes.

As opções acima mostram a grande diferença entre saber dizer ‘não’, ao invés de apenas dizer ‘não’ somente para demonstrar poder. Por exemplo, me lembro de um caso onde um gerente de projetos se orgulhava em manter o uso de sua metodologia de forma inflexível, quando na verdade a própria metodologia em sua essência era adaptável. Isso é um exemplo de ‘não’ negativo.

Alguns poderiam dizer que é impossível dizer ‘não’ para clientes que estão tão acostumados a ouvir um ‘sim’ automático, mas em alguns casos estes clientes estariam muito mais satisfeitos com um ‘não’ expressado de forma positiva. E, para evitar mal entendidos, um ‘não’ positivo provavelmente terá muito melhor efeito do que o ‘sim’ negativo.

Imagine, por exemplo, um projeto no qual o cliente queira o teste exaustivo e tenha também um cronograma apertado. Ao dizer ‘sim’ automaticamente, estamos nos comprometendo muitas vezes com uma meta que não conseguiremos atingir, o que terá efeitos negativos tanto para você como para o cliente.

Entretanto, ao dizer que o teste exaustivo pode não ser uma boa opção (e demonstrando junto a isso outras alternativas), o cliente terá uma nova perspectiva na qual pode escolher a redução do escopo de testes, e para isso contar com a sua ajuda e entregar no prazo. Com certeza, ele ficará mais grato, e é aí que está o poder do ‘não’ positivo.

É claro que é preciso desenvolver uma certa tarimba para fazer o uso do ‘não’ positivo para obter os melhores resultados, e em alguns casos isso não será possível.

Em essência, o uso do ‘não’ positivo quando necessário significa uma visão orientada a riscos, buscando satisfazer ao cliente de fato, ao invés de atender instintivamente a solicitações que em alguns casos são injustificadas e/ou irreais. Já o uso do ‘sim’ negativo em geral envolve ignorar os riscos do projeto.

Exatamente por isso, sair dizendo ‘sim’ o tempo todo, especialmente no contexto de gerenciamento de projetos, muito provavelmente irá te colocar em maus lençóis mais vezes do que você espera.

Qual a sua opinião sobre o assunto? Concorda ou discorda? Sim ou não? Mas lembre-se, apenas um “não” automático é contraproducente.

Leia também: O conhecimento é meu e ninguém tasca! Os funcionários e a transmissão do conhecimento.


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